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16/04/2009
Perigo à mesa do brasileiro
Perigo à mesa do brasileiro
O pimentão é o alimento com a maior contaminação por agrotóxicos no Brasil.
O pimentão é o alimento com a maior contaminação por agrotóxicos no Brasil, de acordo com o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) divulgado ontem pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O morango, a uva e a cenoura também apresentaram alto índice de irregularidades: mais de 30% das amostras desses alimentos tiveram problemas. No caso do pimentão, o índice chegou a 64,36%. A pesquisa revelou ainda que pesticidas proibidos continuam a ser aplicados e há casos de uso excessivo de agrotóxicos em algumas plantações.
A Anvisa analisou 1.773 amostras de 17 alimentos: alface, batata, morango, tomate, maçã, banana, mamão, cenoura, laranja, abacaxi, arroz, feijão, cebola, manga, pimentão, repolho e uva. Do total avaliado, 15% das amostras estavam insatisfatórias. O arroz e o feijão apresentaram baixos índices de contaminação: 3,68% e 2,92%, respectivamente.
De 101 amostras de pimentão analisadas em supermercados de 25 estados no ano passado, 65 apresentaram índice elevado de agrotóxicos.
Durante a apresentação dos dados, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que cortou o pimentão de sua dieta.
- Aumentar o consumo de frutas e verduras é importantíssimo para manter uma boa saúde. Mas queremos que esses produtos sejam seguros. O pimentão, eu já mandei tirar lá da minha casa - disse Temporão.
O ministro ressaltou que não pode recomendar que os consumidores deixem de comer tais alimentos, mas sugeriu que as pessoas prefiram sempre os produtos de época e recomendou que frutas e verduras sejam muito bem lavados.
Em 2008 o Brasil se tornou o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, ultrapassando os EUA. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química, esse mercado movimentou mais de US$ 6,9 bilhões em 2008.
Além do consumidor, o governo se disse preocupado com o produtor rural que manipula os pesticidas e pode não estar seguindo todas as recomendações de segurança.
Temporão sugeriu que outros ministérios, como o do Meio Ambiente e o da Agricultura, façam uma ação coordenada com o Ministério da Saúde para fiscalizar como os produtores usam os agrotóxicos. Entre as 17 frutas, verduras e legumes analisados, todos tinham presença de agrotóxicos não permitidos.
Alguns pesticidas proibidos em outros países, como o acefato, o endossulfam e o forato, continuam em uso no Brasil. Esses e outros dez agrotóxicos estão em revisão pela Anvisa. Muitos dos que estão sob nova avaliação são tidos como cancerígenos, causadores de problemas hormonais e, no caso de grávidas, potenciais geradores de deformações em fetos.
- Não queremos ser empecilho à atividade econômica, mas ela não pode ser predatória à saúde - afirmou José Agenor, diretor da Anvisa.
Os ingredientes ativos encontrados com mais frequência acima do nível permitido pela Anvisa são os mesmos que estão sendo reavaliados.
A agência identificou que houve um aumento da importação desses produtos. O metamidofós, por exemplo, foi banido da China, mas grande parte de seus estoques tem sido enviada para o Brasil. Em 2008, produtores brasileiros importaram US$ 15,8 milhões em metamidofós.
Esse pesticida pode intoxicar o tecido nervoso humano.
Para o consumidor, o governo recomenda que ele opte por alimentos de origem identificada. Os orgânicos, que não usam produtos químicos, também são uma boa opção. O problema é que esses produtos costumam ser mais caros do que os produzidos da forma convencional.
Como reduzir os riscos
Especialistas explicam que agricultores usam diferentes tipos de agrotóxicos. Os produtos de uso externo, que são pulverizados, e aqueles que são aplicados na terra. O excesso do primeiro tipo de agrotóxico pode ser eliminado lavando-se bem os alimentos de maneira correta. Já o segundo dificilmente é retirado. Antes de serem lavados, os alimentos devem ser colocados na geladeira por duas horas, recomendam especialistas. Isso é necessário porque as frutas e as hortaliças, quando em contato
com a água na mesma temperatura, absorvem as impurezas que estão na casca. Então, para evitar esse risco, elas precisam estar geladas na hora que forem lavadas.
Ainda em baixa temperatura, as frutas e as hortaliças devem ser colocadas numa solução de uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água. Ou, se preferir, numa solução de 50 mililitros de vinagre para cada litro de água. Os alimentos devem permanecer submersos por cerca de dez minutos. Ainda existe a opção de deixá-los de molho em água com pastilhas de cloro. Há quem recomende o uso de
detergente neutro na lavagem dos produtos, mas, neste caso é preciso enxaguar bem. Caso contrário, o consumidor poderá ingerir resíduos de sabão
Fonte: O Globo
O pimentão é o alimento com a maior contaminação por agrotóxicos no Brasil, de acordo com o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) divulgado ontem pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O morango, a uva e a cenoura também apresentaram alto índice de irregularidades: mais de 30% das amostras desses alimentos tiveram problemas. No caso do pimentão, o índice chegou a 64,36%. A pesquisa revelou ainda que pesticidas proibidos continuam a ser aplicados e há casos de uso excessivo de agrotóxicos em algumas plantações.
A Anvisa analisou 1.773 amostras de 17 alimentos: alface, batata, morango, tomate, maçã, banana, mamão, cenoura, laranja, abacaxi, arroz, feijão, cebola, manga, pimentão, repolho e uva. Do total avaliado, 15% das amostras estavam insatisfatórias. O arroz e o feijão apresentaram baixos índices de contaminação: 3,68% e 2,92%, respectivamente.
De 101 amostras de pimentão analisadas em supermercados de 25 estados no ano passado, 65 apresentaram índice elevado de agrotóxicos.
Durante a apresentação dos dados, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que cortou o pimentão de sua dieta.
- Aumentar o consumo de frutas e verduras é importantíssimo para manter uma boa saúde. Mas queremos que esses produtos sejam seguros. O pimentão, eu já mandei tirar lá da minha casa - disse Temporão.
O ministro ressaltou que não pode recomendar que os consumidores deixem de comer tais alimentos, mas sugeriu que as pessoas prefiram sempre os produtos de época e recomendou que frutas e verduras sejam muito bem lavados.
Em 2008 o Brasil se tornou o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, ultrapassando os EUA. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química, esse mercado movimentou mais de US$ 6,9 bilhões em 2008.
Além do consumidor, o governo se disse preocupado com o produtor rural que manipula os pesticidas e pode não estar seguindo todas as recomendações de segurança.
Temporão sugeriu que outros ministérios, como o do Meio Ambiente e o da Agricultura, façam uma ação coordenada com o Ministério da Saúde para fiscalizar como os produtores usam os agrotóxicos. Entre as 17 frutas, verduras e legumes analisados, todos tinham presença de agrotóxicos não permitidos.
Alguns pesticidas proibidos em outros países, como o acefato, o endossulfam e o forato, continuam em uso no Brasil. Esses e outros dez agrotóxicos estão em revisão pela Anvisa. Muitos dos que estão sob nova avaliação são tidos como cancerígenos, causadores de problemas hormonais e, no caso de grávidas, potenciais geradores de deformações em fetos.
- Não queremos ser empecilho à atividade econômica, mas ela não pode ser predatória à saúde - afirmou José Agenor, diretor da Anvisa.
Os ingredientes ativos encontrados com mais frequência acima do nível permitido pela Anvisa são os mesmos que estão sendo reavaliados.
A agência identificou que houve um aumento da importação desses produtos. O metamidofós, por exemplo, foi banido da China, mas grande parte de seus estoques tem sido enviada para o Brasil. Em 2008, produtores brasileiros importaram US$ 15,8 milhões em metamidofós.
Esse pesticida pode intoxicar o tecido nervoso humano.
Para o consumidor, o governo recomenda que ele opte por alimentos de origem identificada. Os orgânicos, que não usam produtos químicos, também são uma boa opção. O problema é que esses produtos costumam ser mais caros do que os produzidos da forma convencional.
Como reduzir os riscos
Especialistas explicam que agricultores usam diferentes tipos de agrotóxicos. Os produtos de uso externo, que são pulverizados, e aqueles que são aplicados na terra. O excesso do primeiro tipo de agrotóxico pode ser eliminado lavando-se bem os alimentos de maneira correta. Já o segundo dificilmente é retirado. Antes de serem lavados, os alimentos devem ser colocados na geladeira por duas horas, recomendam especialistas. Isso é necessário porque as frutas e as hortaliças, quando em contato
com a água na mesma temperatura, absorvem as impurezas que estão na casca. Então, para evitar esse risco, elas precisam estar geladas na hora que forem lavadas.
Ainda em baixa temperatura, as frutas e as hortaliças devem ser colocadas numa solução de uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água. Ou, se preferir, numa solução de 50 mililitros de vinagre para cada litro de água. Os alimentos devem permanecer submersos por cerca de dez minutos. Ainda existe a opção de deixá-los de molho em água com pastilhas de cloro. Há quem recomende o uso de
detergente neutro na lavagem dos produtos, mas, neste caso é preciso enxaguar bem. Caso contrário, o consumidor poderá ingerir resíduos de sabão
Fonte: O Globo
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